Crise no mercado editorial?

Crise no mercado editorial?

É com uma pergunta que começamos o blog desta semana.

O mercado editorial está mesmo em crise?

Nós vemos tantas livrarias e editoras fechando que automaticamente enxergamos isso como uma tremenda crise no mercado literário.

Ao longo dessas últimas semanas, vi vários posts nas redes sociais e correntes no WhatsApp pedindo que as pessoas comprassem livros nas livrarias neste natal para que essa crise diminua.

Muita gente fala que o Brasil não é um país de leitores. Concordo até certo ponto, mas acho que podemos reformular isso aí. Na minha humilde opinião, o Brasil é um país de leitores em formação. A cada dia que passa, vejo mais gente se interessando por livros, lendo em plataformas digitais ou conhecendo autores que os incentivam a buscar outras leituras. Ainda estamos longe do ideal, mas não importa, estamos caminhando na direção certa.

 

Toda semana, vemos IGs literários surgindo, pessoas interessadas em mostrar para o mundo o que estão lendo, dando dicas de livros novos e incentivando a literatura nacional. Vejo também leitores procurando os autores, os seguindo nas redes sociais e os motivando a produzir cada vez mais.

É por isso que eu não concordo muito quando falam nessa tal de crise do mercado editorial. Apenas enxergo este período como um de mudanças. As livrarias estão fechando não só por conta da invasão dos e-books, mas também pelos preços astronômicos que cobram.

As grandes cadeias de livrarias aceitam apenas contratos com editora, deixando de lado os autores independentes – que ganham cada dia mais espaço nessa loucura toda. Vocês sabiam que ter um livro na vitrine de uma Saraiva da vida custa uma fortuna? Dá pra comprar um carro zero com o valor que cobram para um fim de semana! E não estou falando ter o livro exposto em todas as saraivas do Brasil não…

Além disso, há também a porcentagem da consignação, que, por vezes, chega a 50% do valor da capa. Não precisa ser muito bom em matemática para saber que isso é muito! Vamos fazer uma continha básica:

Imagina um livro de 25 reais. Se ele fosse posto na Saraiva, eles só retornariam 12,50 para a editora. Sendo que a maioria das editoras repassa apenas 10% da capa. Ou seja, o autor fica com 2,50. 12,50 vai para a livraria e os outros 10 reais ficam com a casa editorial.

Injusto? O que você acha?

Hoje em dia, não vemos mais pessoas reclamando porque as locadoras fecharam. Claro! Temos Netflix, Telecine Play, Amazon vídeos… Tudo que incentiva quem assiste filmes a não saírem de casa para escolher o que querem ver.

O mesmo está acontecendo com o mercado editorial. Passamos por um período de grandes mudanças… Só que o número de leitores só está aumentando, inclusive os digitais.

É muito triste ver livrarias fechando… muito mesmo. Pra quem é leitor de verdade, passear por uma loja cheia de livros, folhear vários deles e poder sentir aquele cheirinho é maravilhoso. Só que as livrarias precisam se adequar à nova realidade. Hoje em dia, qualquer um pode ter um site e vender livros por lá. Muito mais fácil. Se você compra diretamente com o autor, o livro vem com dedicatória e com brindes! Olha que delícia. Fora que você o está incentivando a continuar escrevendo.

 

As grandes editoras têm se adaptado a essa nova era. Tá na hora das livrarias fazerem o mesmo.