Empatia: a gente NÃO vê por aqui

Empatia: a gente NÃO vê por aqui

Empatia: a gente NÃO vê por aqui.

E é assim que começamos o blog de hoje, que está mais para um apelo do que para um desabafo. Em época de eleição, o Brasil se vê cada vez mais dividido. Na passada, foi aquele grande auê Dilma vs. Aécio. Sabemos o que aconteceu: Dilma sofreu o impeachment e Aécio… bem, as pessoas que votaram nele negam até hoje. Beleza, vamos deixar isso de lado.

Novamente, estamos frente a frente com uma situação bem complicada, mas, dessa vez, acho que o problema ainda é pior. Vivemos em uma época de dois ódios intensos: o ódio contra o Bolsonaro e o ódio contra o PT.

Quem odeia o Bolsonaro, nem sempre é petista. Já os que o apoiam olham para os demais como se todos vestissem a camisa vermelha com a estrela branca.

Eu ouvi uma conhecida dizer que vota no Bolsonaro para que a esquerda não tenha mais espaço. Isso me deu uma dó no coração… Não por seu posicionamento político, mas por achar que a esquerda não deve ter seu espaço. Politicamente falando, isso é, além de ignorante, bastante incoerente. Se todos forem de direita — 

ou, no caso, extrema direita — o que será que vai acontecer? Já vimos isso antes em outros países… Inclusive, no nosso. Muitos ainda não estavam vivos para ver, inclusive eu, mas sofremos até hoje as consequências do período de ditadura.

Se vivemos em uma república democrática, é necessário que haja partidos de diversos pensamentos e que defendem seus ideais. Isso é o básico! Todos precisam de espaço. Se você não quer essa diferença de opiniões, então o que você quer?

Não tentem eliminar a esquerda, ela prioriza o viés social. Você xinga a esquerda, mas acha um absurdo que a educação tenha chegado a esse ponto. O bolsa família, que muita gente tanto despreza, possibilita grande movimentação na economia. Mas se foi “criado” pelo Lula, então não presta. Pelo amor de Deus! Quando se tem dinheiro, se gasta! Paga imposto, tanto o que compra quanto o que vende. Não xinguem o bolsa família. Sem ele, a situação seria muito pior.

Pergunte a qualquer economista.

Aí começam a entrar as questões morais. Sim, porque muitos eleitores do Bolsonaro se apoiam no discurso “Deus e Família acima de tudo”. Posso falar uma coisa? Eu até entendo você achar isso, mas pensem que há famílias diferentes das suas. Famílias como a minha, composta por mim e minha filha. Eu fui criada por minha mãe e minha avó. O desajustado da situação é meu pai, que cagou e andou pra mim a vida inteira, e não eu! Eu sou bastante ajustada. Acho, às vezes, que muito mais do que deveria. Em vez de culpar as mulheres por serem solteiras e criarem filhos sozinhos, culpem os homens pela falta de caráter e comprometimento.

Onde está a empatia?

Onde está a empatia para aquelas crianças que foram adotadas por um casal homossexual?

Foram abandonadas em orfanatos por pais heterossexuais. Aí chega um casal gay, cheio de amor pra dar, adota uma criança e proporciona a ela uma vida que os pais nem cogitaram tentar dar. Não estou julgando aqueles que deixam para adoção. Estou falando com você, a pessoa que não acha que isso é certo. Que vai contra Deus. Mil perdões, mas o que vai contra Deus é a falta de amor ao próximo. Se coloque no lugar daquela criança, perdida no sistema que pouco se importa com ela. Errado é julgar, é apontar, é não respeitar.

O machismo está entranhado na nossa sociedade, e isso é muito complicado. Muitas mulheres acham que, só por serem mulheres, não são machistas. E que as feministas são aquelas que não raspam o sovaco e acham que homens são inúteis. O princípio básico do feminismo é a igualdade — de direitos, deveres e oportunidades — entre os sexos. Gente, é só isso. O que você faz com o seu direito é problema seu. Se quiser de depilar, ótimo. Se não quiser, ótimo também. Agora vem você e me diz que só os homens devem pagar a conta do restaurante e que, quando seu marido chega em casa, o jantar tem que estar pronto.

Vamos conversar sobre isso. Eu acho MUITO justo uma mulher fazer o jantar para o homem. Contanto que ela queira fazer, não por ser mulher, mas por gostar. Em contrapartida, será que seu marido gostaria de fazer o jantar pra você?

Lugar de mulher é onde ela quiser! Tanto no tanque de lavar roupas quanto no de guerra. O fato de ser mulher não pode ser restritivo de qualquer forma. Não é por ser mulher que você tem que receber um salário menor. São as suas qualificações que te fazem um profissional, não aquilo que você tem entre as pernas.

No meio dessa loucura que são as semanas pré-eleições, os ataques são muitos e são constantes. Eu defendo o direito de todos serem aquilo que quiserem. Quer ser petralha? Ótimo. Quer ser coxinha? Ótimo. Quer ser machista? Ótimo. Mas lembre-se que O SEU DIREITO ACABA ONDE O MEU COMEÇA. Limite seu machismo, seu racismo e sua homofobia a si mesmo. A partir do momento em que você transforma esses seus pensamentos em ações, está violando o artigo quinto da Constituição Federal, que diz que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)”.

Mas não importa… Vivemos um momento de ódio. São ódios distintos, mas com fundamentos muito parecidos: o país está uma boa merda e queremos melhorias. A-go-ra! Basicamente, é isso. O que diverge é o motivo de acharmos que está uma merda e como podemos sair dela. 

Os conservadores (que se dizem liberais por causa da economia e acabam fazendo com que historiadores quase enfartem) acreditam que as coisas só estão desse jeito porque “tudo pode”. Pode matar, pode roubar, pode ser gay, trans e macumbeiro… e ainda vem aquela galera esquerdista dizendo que tem que poder usar drogas.

Por outro lado, tem gente afirmando que foi a desigualdade que levou ao caos e obtusamente ignoram toda e qualquer corrupção que possa ter acontecido durante o governo, além de outros erros que seu ídolo possa ter cometido.

Já me perguntaram por que eu não defendo um candidato e apenas vou contra o outro? Eu nunca fui de fazer campanha, já que todos temos direito de escolher quem quisermos e não me acho capacitada para influenciar seu voto. Principalmente em redes sociais. Conversando cara a cara com quem eu conheço, ok!

Eu estou com medo. Sim, já disse isso. Estou com medo do Bolsonaro entrar. Sabe por quê? 

Primeiro, porque acho que, de todos os candidatos, ele é o menos preparado para o cargo, afinal, quem sabe do plano de governo é Paulo Guedes, não ele. Em segundo, porque discordo da volta da CPMF, da extinção do 13º salário (e olha que eu sou autônoma e não recebo), da não taxação das grandes fortunas, dos projetos de privatização em massa e de venda do máximo de terras possível da união, dentre outros vários pontos no viés econômico que fazem de seu plano de governo (se é que podemos chamar o que ele tem de plano de governo) uma boa palhaçada. Em terceiro lugar, todos os comentários machistas, homofóbicos e racistas são muito graves para serem ignorados. “Eu não concordo com tudo que ele diz, mas acho que é o único com pulso firme pra governar o país.” Ouvi essa frase de uma amiga. Pois é… Só que um presidente que abertamente discrimina parte da população não pode ser eleito! E se VOCÊ fosse o discriminado? De novo, eu pergunto: cadê a empatia? Como são os outros, então fofa-se (como diz meu whatsapp politicamente correto). Em quarto, e não menos importante, a questão do armamento. No Brasil, é permitido ter porte de armas. Apenas em casa, para pessoas sem antecedentes criminais e fazendo uma renovação de licença a cada três anos.

Acho isso muito sensato, viu? O que ele quer fazer é afrouxar essas regras. Tem tanta gente que não sabe usar o lápis… Não seria essa uma prioridade? Educação antes de qualquer pessoa poder portar uma pistola por aí.

Por isso, eu me posiciono. Tenho meu candidato? Sim, tenho. Quer saber quem é? Vem falar comigo, porque não estou aqui para fazer campanha. Estou aqui para alertar contra o perigo que vejo chegando, se aproximando cada vez mais.

Não podemos nos calar quando acreditamos tão firmemente em alguma coisa. Porém, nunca devemos perder a empatia, nem quando estamos defendendo nossas ideias. E ver aquelas milhões de pessoas nas ruas, fazendo exatamente isso, encheu meu coração de esperança… Esperança de que ainda há gente disposta a lutar! Não apenas contra o candidato de extrema direita, mas pela liberdade, pela igualdade e pela democracia. 

Uns falam em economia, outros apontam o panorama social, muitos culpam isso ou aquilo. Não importa, o ódio foi instaurado e só deve ir embora quando alguma outra competição esportiva aparecer. Chega logo, Olimpíadas 2020. Só espero que a empatia chegue um pouco antes, porque está difícil viver assim.