Blog – O Museu Nacional Vive!

O Museu Nacional Vive!

Não tem como o blog desta semana ser sobre qualquer outro assunto. Vamos falar de descaso, de priorização do que não é prioridade, da desvalorização da nossa cultura.

Na noite de dois de setembro de dois mil e dezoito, um domingo bem quente, chego em casa e vejo várias mensagens de amigos historiadores, todos desesperados e perguntando se eu estava vendo o que acontecia.

Eu tinha acabado de chegar em casa de uma festa de aniversário. Quando vi a notícia do fogo no museu, fiquei um tempo sem entender o que estava de fato acontecendo. Foi então que recebi o vídeo e não pude acreditar. Fogo no Museu Nacional não é uma notícia nova — ou, pior ainda, surpreendente —, afinal, estamos falando de um órgão público que não recebe verbas. Nos últimos anos, teve até vaquinha online pra poderem restaurar e expor algumas coisas.

No momento em que eu liguei a televisão e vi o que estava acontecendo — a proporção do incêndio — minhas pernas fraquejaram e eu simplesmente comecei a chorar. Sentada na poltrona da sala da casa da minha mãe, eu assisti ao ápice do “foda-se a cultura”. O Museu preferido da minha filha estava sendo destruído e ninguém sabia o que fazer; não tinha o que ninguém fazer.

Eu chorei, Gabi chorou, a grande maioria dos meus amigos também. Choramos em um misto de tristeza, raiva, indignação e repúdio ao que tem acontecido. Enquanto a gente luta para que alguma coisa da educação ainda se mantenha viva, a cultura morre… Não temos força para tudo. É a saúde sucateada, as escolas negligenciadas e os centros culturais abandonados.

Quem se lembra dos bailarinos do Teatro Municipal dançando na escadaria do prédio, em um grito silencioso de socorro?

Há quantos anos o Museu Histórico não grita pelo mesmo socorro?!

A cultura precisa ser cuidada. A história não pode ser esquecida. Eu repito: A HISTÓRIA NÃO PODE SER ESQUECIDA. Se for, não haverá mudanças! E não aguentamos mais a mesma coisa!

Eu estou emocionalmente esgotada. Mas o eu não importa. Vamos parar de pensar no eu e começar a pensar no todo, no coletivo. Não podemos deixar que as prioridades sejam outras, quando as necessidades básicas não são atendidas.

Meu vizinho morreu porque não teve atendimento no hospital público.

O Museu Nacional sofreu porque não houve verba para instalar um sistema decente contra incêndio. A culpa não foi da UFRJ, que quase não recebe verbas; a culpa foi daqueles que escolheram outras coisas para serem priorizadas. Quantos mais, amigos ou patrimônios, precisarão morrer para que nos demos conta de que tudo está muito errado? Prioridades invertidas! Quando o seu celular vale mais que a vida do outro, tem algo errado aí… Quando os milhões investidos em estrangeirismos são mais importantes do que o investimento na nossa própria cultura, tem algo super errado aí!

Precisamos de prioridades, de princípios, de mais amor ao nosso. Está na hora de pensar! Não esqueçam da nossa história. Não esqueçam do terror que foi a ditadura militar. Não esqueçam que o que precisamos agora é o amor por aquilo que o Brasil tem de melhor: os brasileiros e sua cultura.

Porém, precisamos deixar uma coisa bem clara: O MUSEU NACIONAL NÃO MORREU! Ele resistiu ao fogo, está mais fraco, sem seu acervo, mas não sem sua alma! Seus funcionários e apoiadores continuam na luta para mantê-lo vivo.

Semana que vem, na sexta-feira, dia 14 de setembro, começa no Museu (no prédio anexo do Horto, na parte de baixo da Quinta) o “Curso Básico de Línguas Indígenas Brasileiras com especial atenção às línguas da família Tupi-Guarani”. As aulas vão até o final de novembro e ocorrerão todas as sextas, das 14h00 às 17h00.

Vamos todos resistir!

#museunacionalvive